
"Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impuraQue o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro —
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia…"
Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de setembro de 1831 – Rio de janeiro, 25 de abril de 1852) foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra Romântica, Byroniana ou Mal do Século), contista, dramaturgo, poeta e ensaísta brasileiro. Álvares de Azevedo não chegou a concluir o curso de Direito pois adoeceu de tuberculose pulmonar - porém o que deu fim real a sua vida foi um tumor na fossa ilíaca que piorou depois de sua queda de cavalo, aos 20 anos.
A obra lição de anatomia do Dr.Tulp é de Rembrandt Harmenszoon van Rijn (15 de julho de 1606, Leiden – 4 de outubro de 1669, Amsterdam), considerado um dos maiores pintores e gravadores da história da arte européia e um dos mais importantes da história neerlandesa.
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